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ÍNDICE Editorial - Renato Moscateli. A questão da objetividade nas Ciências Sociais - Mateus Seigo Sagai. Crise nas infinitas ciências - Renato Moscateli. América de Colonização Espanhola - Luciana Andréia Araújo. No centro da festa: vasilhas guarani de preparar cauim - Ana Paula Simão. O que foi a Peste Negra? - Marco Aurélio Piazzo. Convite aos estudantes EDITORIAL
Francis Bacon
Os motivos que levaram à criação desta
revista foram muitos, e se confundem com a concepção de
História que cada um de nós, seus autores, tem. Entretanto,
creio que há um ponto comum em nossas intenções,
ou seja, fundar um espaço onde os estudantes de História
e Ciências Sociais da nossa academia possam exercitar-se escrevendo
sobre assuntos de seu interesse ao mesmo tempo em que refletem sobre seu
aprendizado e seu futuro como profissionais na área de História.
Mais do que tudo, esta revista deve ser uma fonte de inspiração
para o desenvolvimento intelectual. Sabemos, por outro lado, o quanto é difícil expor-nos, através de nossos textos, ao julgamento alheio, mas sabemos também que merecemos um voto de confiança por nossa iniciativa. Somos apenas aprendizes na oficina da História, e os artigos seguintes são apenas as primícias dos nossos estudos. Por meio destes, cresceremos com nossos erros e ganharemos força com nossas descobertas. E, assim como Janus, que simboliza nosso projeto, procuramos ter dois olhares que se fundem numa mesma reflexão; vislumbrando o passado, um passado vivo que nos cerca com seu presença e possibilidades, e olhando para o futuro, aquele que nós iremos construir. Aprendemos com ambos, e deixamos nossas palavras como legado. Renato Moscateli
Editor
A questão da objetividade nas Ciências Sociais:
Bourdieu & Löwy
Mateus Seigo Sagai A sociologia vem sempre se questionando a respeito da objetividade dentro das ciências sociais. Essa questão se torna um tanto complexa, considerando que o sociólogo intervém também em questões sociais. Não que pelo fato de atuarem em áreas sociais não se possa buscar essa objetividade; muito pelo contrário, isso só depende do interesse do cientista em buscá-la e de sua própria vontade, como afirma Pierre Boudieu. Mas, segundo o próprio Bourdieu, o problema não se encontra na busca da verdade, e sim no “interesse” que motivou a produção dessa verdade. Dessa forma, se existe um “interesse” na busca dessa verdade, a concepção de “neutralidade” deixa de existir. Assim, pelo fato da sociologia ser uma ciência com grande capital de conhecimento, sempre encontrará algo que a contradiga alegando preconceito ideológico ou tomada de posição política. Tratando também dessa questão, Michael Löwy considera impossível a construção de um modelo de objetividade livre, ou seja, completamente neutra, pois, segundo ele, tudo depende do ponto de vista de classe e a visão social de mundo que corresponda ao cientista. Dessa forma, para Löwy, a única classe que oferece a maior possibilidade objetiva da verdade é o proletariado, porque ela necessita da verdade para alcançar sua emancipação. Já a classe dominante, a burguesia, tem a necessidade de mentiras e ilusões para manter seu poder. Assim, a busca de uma forma de objetividade é algo praticamente impossível, já que ela sempre estará carregada de pressupostos ideológicos e políticos. Crise nas infinitas ciênciasRenato Moscateli Conhecimento é poder, tão certo quanto o saber que hoje reina sobre o mundo fundou seu domínio por sobre a decadência de muitas outras verdades. Mas, este conhecimento soberano, a ciência moderna, está em crise, e as antigas sabedorias exiladas estão retornando para exigir seu lugar de direito enquanto conhecimentos humanos. Esta é uma história de como tal cenário de conflito veio a se formar. Nem sempre os homens tiveram muitas formas de compreender o mundo. No princípio, tudo era entendido como unidade, tanto as pessoas quanto a natureza, tanto o espírito quanto a matéria, faziam parte de uma mesma esfera explicativa. Existia, portanto, um único Universo de Conhecimento. Entretanto, algo aconteceu, e a unidade foi quebrada. E é por este motivo que a crise atual começou não agora, mas há milênios atrás, nas terras banhadas pelo hoje chamado Mediterrâneo. Neste lugar, desenvolveu-se o próspero povo heleno. Grandes navegadores e poderosos guerreiros, os helenos carregavam dentro de si uma incontrolável sede de conhecimento. No desejo de saber mais sobre a origem de todas as coisas, alguns dentre eles liberaram uma fantástica quantidade de energia criadora capaz de cindir a unicidade do saber. Nasceram, assim, o Multiverso do Conhecimento e o Universo do Anti-conhecimento. (1) De fato, o que era um tornou-se inúmeros. Novos e incontáveis modos de compreender a realidade passaram a existir desde então. Não se tratava apenas de conteúdos explicativos diferentes, mas de conhecimentos radicalmente distintos quanto ao método e à finalidade com os quais foram gerados. A filosofia foi o primeiro dos jovens universos a condensar sua matéria com o objetivo de fornecer um discurso a respeito do mundo baseado na especulação racional sobre aquilo que fosse eterno e imutável. Ao mesmo tempo, uma enorme gama de verdades começou a ser paulatinamente desprezada pelos filósofos. Estas verdades formaram o Universo do Anti-conhecimento, a região epistêmica de tudo o que fosse aparente e degenerável. O saber do mundo sensível, em oposição ao do mundo inteligível da razão filosófica. Cientes da presença uns dos outros, os defensores de cada modelo de saber travaram uma batalha pela soberania de suas respectivas visões de mundo que durou vinte séculos. Como eram igualmente poderosos, os vários Universos do conhecimento mantiveram-se num relativo equilíbrio, ora com o predomínio de um, ora de outro, sem que nenhum deles alcançasse a supremacia definitiva em todos os lugares e em todas as épocas. Porém, a modernidade trouxe consigo uma nova raça de grandes navegadores e poderosos guerreiros cuja vontade de conquistar o desconhecido forneceu ao Universo do Anti-conhecimento a oportunidade de obter a vitória (2). Necessitando os conquistadores de conhecimentos técnicos e pragmáticos, instigaram os asseclas desse Universo a operar uma série de mudanças estratégicas em sua atividade. Em primeiro lugar, estes apropriaram-se da linguagem do Universo da matemática a fim de construir um discurso lógico e irrefutável. Em seguida, dividiram a existência em tantas partes quantas fossem necessárias para melhor compreendê-la e dominá-la. E, por fim, separaram a Humanidade e a Natureza, opondo-as enquanto esferas de conhecimento pretensamente distintas. Era o surgimento da Ciência moderna. Revestida por sua armadura epistemológica, a Ciência iniciou um longo processo de expansão, o que significou, para os demais saberes, uma terrível ameaça de extinção, uma vez que para os cientistas apenas a sua verdade era a que deveria continuar existindo. Assim, inúmeras cosmovisões foram sistematicamente aniquiladas nos séculos seguintes, como a Alquimia e a Astrologia que somente conservaram uma pequena parcela de si para a posteridade. E, a cada Universo do conhecimento destruído, a Ciência aumentava seu poder, pois ocupava o lugar deixado vazio pelos vencidos. Um mundo feito à sua imagem e semelhança era a aspiraçao máxima da Ciência. Para alcançá-la, ela multiplicou-se. Cada pequena fração dos cognoscível foi cercada e capturada pelo exército das infinitas ciências. Todos os aspectos do ser humano, sua constituição corpórea, os mistérios de sua mente, as invenções de sua sociabilidade, cada qual recebeu a atenção de uma ciência em particular. O mesmo se deu com os fenômenos naturais. O rigor científico acercou-se de tudo, regulamentando o caos e redigindo as novas leis de ordenação do Universo. O que era Essência transformou-se em Número. No presente século, a força das ciências atingiu um estágio surpreendente, a tal ponto que não apenas os outros Universos do conhecimento estavam em perigo, mas a própria existência do Universo material. Foi então que o temor da destruição iminente deu voz mais uma vez aos representantes do Universo da Filosofia. Utilizando-se da poderosa Ética, eles têm lutado contra a suposta neutralidade científica e seus terríveis resultados. Os Universos da religião também voltaram à tona nesta hora de fim de milênio, reivindicando na consciência dos homens seu antigo espaço. Por outro lado, as ciência mesmas vêm demonstrando sinais de auto-questionamento. Os cientistas, cedo ou tarde, reconhecem o quanto de si há no conhecimento que criam e no Universo que desejam desvendar, e se perguntam se tinham o direito de se considerarem quase semideuses como fizeram anteriormente. Apesar de ainda serem dominantes, suas palavras já não possuem mais a energia de uma verdade inquestionável, e a tênue barreira estabelecida por elas entre as dimensões do homem e da natureza está prestes a ser rompida. A crise nas infinitas ciências não é, pois, a agonia de um único Universo de conhecimento, mas um evento decisivo na História humana. Da forma de saber que emergirá dela depende o futuro de todos os conhecimentos. Talvez, o confronto milenar entre eles continue. Talvez, o que hoje é inúmeros volte a ser apenas um. Seja como for, a curiosidade primordial que deu origem à crise ainda persiste, assim como o fato de que conhecimento é poder, tão certo quanto onde há poder há resistência...(3) Inspirado na obra de Marv Wolfman e George Pérez
“Crise nas Infinitas terras”. Bibliografia Luciana Andréia Araújo Diversas questões merecem uma análise mais cuidadosa, dentro do tema proposto acima. Inicialmente, o conceito tradicionalmente empregado: Os espanhóis descobriram a América. Esse conceito “descoberta” reflete uma visão que é chamada europeizante, que pressupõe a superioridade da civilização européia. Assim, mesmo que outros povos já povoassem outras regiões há milhares de anos e conhecessem um notável desenvolvimento técnico-científico, eles precisavam ser “descobertos”, reconhecidos pela civilização européia. É claro que havia na América civilizações diferentes daquela que se desenvolvia na Europa. O que houve, portanto, foi o encontro de duas sociedades, em diferentes estágios de desenvolvimento. “O que o genovês Colombo ia buscar no remoto império amarelo? Costuma-se responder: especiarias. Não seremos nós quem negaremos isto. Mas acrescentamos: mais que as especiarias, interessava-lhe o ouro.” (Cf POMER, 1983:p. 52.). Como se pode verificar através do pequeno trecho citado, a preocupação com os metais preciosos estava presente desde os primeiros contatos dos espanhóis com o chamado “Novo Mundo”. Afinal, os metais eram importantes para a superação da crise que a sociedade européia enfrentava nos séculos XIV-XV. Diante da tremenda avidez de ouro, os espanhóis não hesitaram em recorrer à extrema violência para obtê-lo. Violência esta que estava presente logo nos primeiros contatos, mesmo sem saber que estavam em uma região até então desconhecida e que guardava inúmeras riquezas. Alguns companheiros que Colombo deixou na ilha de São Domingos, ao retornar da primeira viagem, roubaram as comunidades nativas e, diante da resistência oferecida, realizaram matanças. A violência exasperada permaneceu durante todo o período da conquista. Mas qual teria sido o motivo de tanta violência? Esta pergunta pode ser melhor respondida pelo Frei Bartolomeu de Las Casas, que se auto-denominava “procurador e protetor universal de todos os povos indígenas”: “(...) sobre esses cordeiros tão dóceis (...) os espanhóis se arremessaram no mesmo instante em que os conheceram; e como lobos, como leões e tigres (...) não fazem ali senão despedaçar, matar (...) e destruir esse povo por estranhas crueldades (...) de tal sorte que de três milhões de almas que havia na Ilha Espanhola e que nós vimos, não há hoje de seus naturais habitantes nem duzentas pessoas (...) A causa, pelo qual os espanhóis destruíram tal infinidade de almas, foi unicamente não terem como finalidade última senão o ouro, para enriquecer em pouco tempo (...)” (Cf. LAS CASAS, 1984: p. 27). Diante de apresentação desses dados, uma pergunta se impõe: como conseguiram algumas centenas de espanhóis subjugar e aniquilar milhões de índios? As respostas são várias, mas é necessário destacar o enorme poder de fogo das armas européias, às quais os índios só podiam contrapor arcos, flechas, lanças e tacapes. O fator surpresa também é considerável, visto que os índios não conheciam o cavalo e, preocupados em atingir os animais, descuidavam-se dos soldados. Importa ressaltar que os mitos religiosos de alguns povos contribuíram, na medida em que previam a volta de “deuses” que foram identificados com os espanhóis. Assim, um misto de fatalismo colaborou para que os indígenas aceitassem ou talvez não resistissem tanto. É preciso considerar que, também, no caso dos astecas, principalmente, sua confederação estava baseada no domínio de várias outras tribos, as quais gostavam e chegaram até a apoiar o domínio espanhol, saudando-o como a libertação de suas tribos em relação aos astecas. Finalizando essa análise, é necessário procurar entender como se articulou o domínio e a colonização da América pelos espanhóis com o processo de acumulação de capital nas metrópoles européias. A montagem de uma complexa máquina burocrática
nas colônias tinha o evidente interesse de fiscalização,
para assegurar a dominação das colônias. Através
do monopólio, ou “exclusivo”, a Coroa garantia que os lucros
gerados pela colônia permaneceriam na metrópole. Além
dos monopólios, os impostos, muitos e variados, garantiram plenamente
essa acumulação. “Parece fora de dúvida, portanto,
que o trabalho realizado nas terras da América tinha como principal
objetivo criar um fluxo de recursos a ser acumulado na Espanha.” (Cf.
FURTADO, 1970; p. 34). Ana Paula Simão As festas dos índios Guarani eram festas basicamente sociais e eventualmente religiosas. Envolviam um número bastante elevado de pessoas que variava, geralmente, de 2 a 5 mil pessoas. A quantidade de bebida consumida alcançava milhares de litros e envolvia uma quantidade considerável de vasilhas. No decorrer da festa, que podia durar de 2 a 5 dias, não eram consumidos alimentos, até mesmo pelo fato da bebida ser uma maneira alternativa de consumir os alimentos com os quais era produzida. Os Guarani eram preparados desde pequeninos, através de um série de rituais, para beber e não ficarem bêbados. Em tais festas todos bebiam, até mesmo mulheres e crianças. A bebida era produzida a partir de vegetais e frutas. Eram derivadas da fermentação do amido de vegetais como a mandioca, o milho, a batata doce e a goiaba. A fermentação era mantida até alcançar o teor alcoólico desejado, que geralmente não era muito elevado. Quando queriam obter um teor alcoólico mais elevado acrescentava-se mais açúcares sob a forma de mel ou frutas, fungos e outros vegetais. Tal bebida, ou qualquer outro tipo de bebida que pudesse embriagar, eram denominadas CAUIM, independente de seus ingredientes ou forma de produção. Para o preparo do CAUIM, que era uma atividade feminina, os ingredientes eram coletados, limpos e preparados. O início do preparo se dava em vasilhas denominadas YAPEPÓ, porque os CAMBUCHÍ, vasilhas utilizadas na fermentaçao da bebida nãp podiam ir ao fogo devido ao tratamento de superfície; eram pintadas e a tinta não suportava o calor do fogo. Posteriormente, parte dos ingredientes era mastigada e cuspida, outra parte amassada e colocada em outras vasilhas, ou seja, nos CAMBUCHÍ. A medida que a bebida ia sendo mexida, adquiria certa espessura. Depois era posta para esfriar. Os CAMBUCHI eram, então, bem fechados, vedados com uma tampa e barro para que a fermentação pudesse ser efetivada. Deixava-se apenas um orifício por onde sairiam os gases liberados pela fermentação. Depois de pronta, a bebida era retirada desses recipientes com conchas e servidas em vasilhas (cambuchí caguabã) pelas mulheres. Sabe-se que estas bebidas eram consumidas em festas, e pela maneira como aparecem, supõem-se que seja uma bebida ritual, até mesmo por não ter-se notícias de seu consumo cotidiano. _______________________________ Marco Aurélio Piazzo O cronista Agnolo de Tura ( o gordo ) fez uma descrição da Morte Negra: A mortalidade em Siena começou em maio. Foi coisa cruel e horrível: não sei por onde começar a falar da sua crueldade e de seus sofrimentos horríveis. Diria-se que quase todos ficaram idiotizados ao ver tanta dor. E, é impossível para a língua humana narrar a horrível verdade. Em realidade, quem não viu coisas tão horríveis pode considerar-se bem-aventurado. E as vítimas morriam quase imediatamente. Inchavam as axilas e as virilhas, e caiam ao estarem falando. O pai abandonava o filho, a mulher o marido, e o irmão ao irmão, pois esta enfermidade parecia atacar pelo ar e pela vista. E assim morriam. E não se achava ninguém que enterrasse os mortos por amizade ou dinheiro. Os membros de uma família levavam seus mortos em um lençol, como podiam, sem sacerdote, sem ofícios divinos (...) Em muitos lugares de Siena escavavam-se grandes poços que se enchiam com a imensidão de mortos que faleciam às centenas, de dia e de noite, todos eram jogados nestas valas e cobertos com terra. E quando as valas ficavam cheias, abriam-se outras. E eu, Agnolo de Tura... enterrei os meus cinco filhos com minhas próprias mãos... E assim, tantos morreram e todos acreditavam que aquele era o fim do mundo. As pessoas horrorizavam-se diante da peste, aparentemente inexplicável e para a qual não se conhecia remédios. Os efeitos da peste à longo prazo foram profundos. Uma série de epidemias ocorreu até o século XVIII, fazendo com que a população européia declinasse continuamente pelo menos durante um século após 1350. O processo de desertificação apresentou-se crônico e caracterizou os séculos XIV e XV. As antigas instituições constitucionais, governamentais e comerciais, as antigas idéias filosóficas e até os sistemas de crença religiosa foram desafiados, frequentemente com êxito. Os aristocratas e cléricos que haviam dominado o mundo anterior à peste, por monopolizarem o controle da propriedade, tiveram que enfrentar camponeses e mercadores que prosperaram. A produção anterior à peste, baseada na mão-de-obra barata e abundante, foi modificada por novos métodos que amiúde se fundamentaram numa tecnologia relativamente avançada. Na realidade, a Morte Negra interferiu no desenvolvimento do mundo ocidental de tal forma que alguns historiadores chegam a afirmar que ela foi “o divisor de águas” entre a Europa medieval e a Europa moderna, reafirmando que a Morte Negra constituiu o fim da Idade Média. Outros, responsabilizaram a peste pelo aceleramento do processo de declínio do cristianismo e do monasticismo, propiciando, desta forma, a fermentação da Reforma Protestante e do Renascimento. J. W. Thompson fez uma comparação entre a devastação efetivada pela Peste Negra e a Primeira Guerra Mundial, dando um parecer que a primeira teve um efeito mais profundo e durador. A Morte Negra matou uma grande parte da “flor” de várias gerações (em sucessivas epidemias) e legou a muitos dos sobreviventes grandes crises psicológicas e morais. O decréscimo demográfico instaurado pela peste, acelerou o desestruturamento de uma sociedade que já se desmoronava. Alguns historiadores menosprezam a importância da Peste Negra no tocante às baixas produzidas por ela; alegam que só matou 20% da população européia, em lugar de 30, 40 e até 50%. Mas, sem dúvida, 20%, especialmente quando é devido à sucessivas epidemias ao longo de mais de 300 anos, é ainda maior que a mortalidade causada por qualquer outro fenômeno da história européia. Assim, diante dessas “demonstrações” do que foi a peste, e da presumida importância que teve nas modificações estruturais da sociedade medieval européia, convém que nos detenhamos em alguns aspectos particulares para que a possamos entender melhor. Para tanto, dividiremos este pequeno ensaio sobre a Peste Negra em quatro partes: 1)- A importância da Peste Negra ( que ora apresentamos).
Muito mais poderia ser dito sobre este assunto e, muito há ainda que se pesquisar, porém, dado ao resumido espaço de que dispomos, apresentaremos resumidamente os tópicos a que nos propusemos apresentar. Dessa forma, retomaremos este assunto nos próximos números da revista. CONVITE AOS ESTUDANTESOs organizadores da revista “Janus” agradecem a seus primeiros leitores a atenção dispensada a nosso trabalho e querem desde já convidar a todos os estudantes de História e Ciências Sociais da nossa Universidade Estadual de Maringá a participarem de suas futuras edições. Para tanto, os interessados devem se dirigir, preferencialmente, aos monitores das disciplinas de História Medieval, História Antiga ou Sociologia para efetuar a entrega de seus trabalhos individuais ou mesmo para se informarem quanto às atividades desta nossa revista.
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