Christian Fausto Moraes dos Santos. Quando os chineses descobriram a América, as plantas comiam cães e os homens tinham rabo: divulgação científica e percepção da natureza no Brasil do século XIX

SANTOS, C. F. M. . Quando os chineses descobriram a América, as plantas comiam cães e os homens tinham rabo: divulgação científica e percepção da natureza no Brasil do século XIX. In: Petry, A.C.; Pelicice, F. M.; Bellini, L. M.. (Org.). A história do pensamento ecológico: Heróis, anti-heróis e episódios. 1 ed. Maringá: Eduem, 2008, v. 1, p. 33-52.

Foi a partir do século XVIII que os manuais sobre práticas agrícolas, mineralógicas e têxteis começaram a circular na América Portuguesa, bem como as primeiras iniciativas no que se refere à organização de sociedades e instituições preocupadas com o estudo do mundo natural. Mas será no século XIX, em especial, que as sociedades científicas, caracterizadas então nos vários museus e Institutos Históricos e Geográficos regionais, irão se multiplicar por todo o Brasil. Nesse contexto, pretendo aqui observar não somente como tais entidades foram se formando com o passar dos anos, mas também quais fatos e fenômenos históricos e naturais eram aceitos como plausíveis de investigação pelas mesmas. Para tanto, elegi alguns artigos e notas de pesquisa, veiculados na Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, que noticiam, entre outros fatos curiosos, a descoberta de homens com rabo no oriente e plantas carnívoras gigantes na América Central. O que pretendo discutir é não somente o quão verídicas essas notícias podiam ser consideradas, mas também as teorias e concepções que à época as endossavam.