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Estudos expõem variações no padrão de vida humano durante a Peste Negra

Cada vez que Sharon DeWitte tira uma caixa de um metro por trinta centímetros do arquivo no Museu de Londres, ela espera que seja pesada. "’Pesado’ implica em um esqueleto relativamente completo", disse DeWitte, uma antropóloga da Universidade da Carolina do Sul, que passou os últimos anos examinando centenas de ossadas medievais e lançando novas luzes sobre o obscuro contexto da Peste Negra.

Desde 2003, DeWitte estuda a peste que dizimou 30% dos europeus e praticamente metade dos londrinos entre 1347-1351. Ela faz parte de um pequeno grupo de cientistas dedicados à decodificação das lacunas históricas relacionadas à praga, tratando especificamente de vestígios ósseos. Suas descobertas podem fornecer valiosas pistas sobre os efeitos da doença em contraste com a evolução humana.

"Minha pesquisa pode nos dizer algo sobre a natureza da variação humana. Sabendo quão intensamente estas doenças podem remodelar nosso complexo biológico, teremos ferramentas para trabalhar e compreender doenças futuras, e a forma como elas eventualmente poderão nos afetar", disse ela.

Tendo analisado mais de seiscentos esqueletos de indivíduos que morreram durante e depois da Peste Negra, DeWitte voltou sua atenção neste semestre para estudar as ossadas de cerca de trezentas pessoas que viveram entre os séculos XI e XII, antes da Peste. Comparando a expectativa de vida de intervalos salubres e insalubres da época, ela espera constatar populações mais “duradouras” a partir do século XIV. Quanto mais completos os esqueletos que DeWitte estuda, portanto, mais informações ela adquire no que concerne ao seu objeto de pesquisa.

"Por ora, descobri que um número significativamente maior de pessoas viveu muito além do esperado logo após a Peste Negra. Muitas viveram para além de 50 anos e, em alguns casos especiais, chegaram até os 70", disse a pesquisadora. "Eu honestamente fui surpreendida por quão dramática foi a discrepância de dados no tocante à sobrevivência. Analisei minuciosamente os riscos de mortalidade no seio das populações pré e pós-Peste Negra, e os resultados preliminares sugerem riscos gerais de mortalidade extremamente menores entre os séculos XIV e XV".

DeWitte atribui a longevidade destes indivíduos a três elementos: sorte geográfica, seletividade natural da Peste Negra – que eliminou o estrato suscetível e debilitado das populações – e o incremento econômico nos padrões de vida pós-Peste, que culminaram em consideráveis melhorias na dieta e no saneamento das habitações.

"Também é possível observar essa tendência em populações modernas e contemporâneas. Com melhorias no tocante à alimentação, assistência médica e higiene, você tende a ver diminuições no número de mortes por doenças infecciosas", complementou. "Muitas pessoas que sobreviveram à Peste eram, no mínimo, razoavelmente saudáveis, e seus descendentes foram, muito provavelmente, ainda mais resistentes. À custa do índice assustadoramente grande de mortes na conta da doença, os salários da época aumentaram para os sobreviventes. Homens e mulheres de todas as classes sociais estavam comendo comida melhor e em maior quantidade, e isso teria fortes efeitos sobre sua saúde".

DeWitte, que é professora assistente do Departamento de Artes e Ciências da Universidade da Carolina do Sul, passou cinco semanas coletando dados em Londres, checando pelo menos uma dúzia de caixas por dia de visita ao museu da cidade. Em cada caixa, cercados por finas camadas de espuma, estavam dispostos os fragmentos de um ou mais esqueletos, separados por sacolas transparentes, e marcados com códigos de arquivamento, provável data de sepultamento e período de escavação.

A pesquisadora diz que fragmentos de pélvis fornecem excelentes sinais de envelhecimento entre os adultos. Para as crianças, os dentes e a fusão de certos ossos encontram-se entre os melhores indicadores de idade. Para a determinação do sexo, DeWitte procura bacias maiores para mulheres e maxilares quadrados ou crânios robustos para os homens. Ela observa principalmente lesões porosas que se formam no interior da cavidade ocular e no topo do crânio destes indivíduos, para indicativos de anemia, e ranhuras horizontais sobre os dentes de crianças, para indicativos de desnutrição ou infecções. “Visíveis a olho nu, esses pequenos defeitos permanecem até a idade adulta, e são excelentes sinais de estresse para a saúde de nosso corpo", disse ela.

A pesquisa de DeWitte em Londres foi financiada por doações da Fundação Wenner-Gren e da Associação Americana de Antropólogos Físicos. Após a coleta dos dados, ela foi para Santa Fé, NM, com uma bolsa parcial de estudos na Escola de Pesquisas Avançadas, para analisá-los. A pesquisadora disse que pretende voltar a Londres em 2013, para investigar esqueletos desenterrados no cemitério de Spitalfields, arquivados há mais de vinte anos. Através destes vestígios, cuja diversidade é muito maior por tratarem-se de ossadas em valas comuns, DeWitte pretende ampliar consideravelmente o padrão que vem traçando até o momento.

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