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Tradições matrimoniais em Damasco no século XV

A noiva é vestida e adornada; os habitantes locais são convidados, e reúnem-se para assistir à cerimônia; presentes são oferecidos, a festa é cuidadosamente preparada e celebrada mesmo antes de começar. Estes são costumes que comumente podemos testemunhar em casamentos modernos. Contudo, de acordo com um recente artigo, eles também eram parte de matrimônios na Damasco medieval, com as particularidades de tradições compartilhadas no Oriente Médio.

Mamluk ‘Ulama’ on Festivals and Rites of Passage: Wedding Customs in 15th century Damascus”, de Yehoshua Frenkel, expõe o que os estudos contemporâneos nos oferecem sobre os casamentos medievais na cidade síria. Usando uma ampla variedade de fontes, incluindo crônicas, obras literárias e decisões judiciais, Frenkel divulga as minúcias deste aspecto da vida cotidiana medieval.

Se duas famílias tivessem negociado com sucesso, o primeiro passo formal no processo matrimonial era a assinatura pública de um contrato de casamento, que seria escrito sobre um tecido de seda. Tal como acontece ainda hoje, músicos participavam e as pessoas da vizinhança se reuniam para assistir.

No dia da cerimônia, a noiva deveria ser vestida com suas roupas mais caras, adornada com enfeites e perfumes, e até contava com um cabeleireiro para ajudá-la a pentear-se. Enquanto isso, o noivo escolhia e enviava membros de sua própria família para buscar a noiva em sua casa, com multidões assistindo. Frenkel explica que "a reunião entre essas duas partes, daqueles que vieram para levar a noiva e dos outros que deveriam entregá-la, foi orquestrada de modo a lembrar os espectadores de uma intricada negociação comercial, ao invés de um acontecimento alegre e informal".

A família da noiva recebia os convidados com uma grande festa, geralmente servindo carne de cabra como prato principal. Uma vez que o tradicional banquete terminava, a noiva era enviada em um cortejo matrimonial junto com seus dotes, numa demonstração de que fazia parte de uma família rica e poderosa. "O traje da noiva era adornado de modo que a população também pudesse inspecioná-lo. Era um evento para todos os gêneros. Os celebrantes, homens e mulheres, se misturavam nas ruas, levantando suas vozes em clamor e gritos, com o objetivo de defender ou criticar sua riqueza", disse o pesquisador.

A casa do noivo, destino final, era completamente decorada, com o chão forrado de tapetes e lâmpadas por todos ao lados. A noiva comumente surgia por trás de uma cortina decorada com jóias, seguida por músicos e convidados até aproximar-se de seu esposo. Seguindo a tradição, o rapaz beijava a testa da futura esposa, enquanto os convidados espalhavam moedas ao redor do casal.

A consumação do casamento era celebrada logo após a festa. A mãe do marido permanecia em pé à frente do quarto, não permitindo que o jovem casal entrasse facilmente. Ambos tinham que arrastar-se sob suas pernas arqueadas. Mulheres ficavam de fora do quarto durante a noite inteira, aparentemente zelando pelo par. Na manhã seguinte, batiam na porta e entravam no quarto do casal. Essas mesmas mulheres encarregavam-se de vestir a jovem noiva com calças, e a aconselhavam a não permanecer na cama com o marido “fresco”.

Sábios religiosos islâmicos revelavam o seu descontentamento com alguns dos aspectos destas cerimônias, como a mistura indiscriminada entre homens e mulheres e as ostentações de riqueza, mas não pareciam ter muita influência sobre tais tradições. Enquanto isso, o estudioso 'Alawun al-Hamawi al-shalafi (1430-1529) queixava-se sobre as más escolhas que os homens faziam em relação às esposas. Ao invés de buscarem por mulheres respeitosas, estes homens “procuravam respostas em seus olhos; se elas eram bonitas, quais seriam os valores de seus enxovais, e se elas possuíam guarda-roupas recheados de riquezas”, dizia o estudioso.

Frenkel, professor do Departamento de História do Oriente Médio na Universidade de Haifa (e atualmente professor visitante na Universidade de Bonn) é autor de vários artigos sobre a História Social do Oriente Médio medieval, com ênfase na dinâmica de Damasco durante o século XV. Seu artigo aparece no “Egypt and Syria in the Fatimid, Ayyubid and Mamluk Eras VI” (Orientalia Lovaniensia Analecta, 183), que foi publicado pela Peeters em 2010.

 

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