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Historiador analisa o papel dos escravos durante a Era Viking

20% das pessoas que viviam na Escandinávia durante a Era Viking eram escravos, mas poucos estudiosos se deram ao trabalho de analisar o seu papel na sociedade da época, em especial na atividade que eles desempenhavam no campo. Uma nova pesquisa, escrita por Janken Myrdal e intitulada “Milking and Grinding, Digging and Herding: Slaves and Farmwork 1000-1300”, oferece algumas informações preciosas sobre essa dinâmica.

Enquanto estudos anteriores sugeriam que esses escravos e homens livres provavelmente desempenhavam as mesmas atividades no campo medieval, Myrdal, historiador econômico da Universidade Sueca de Ciências Agrícolas, acredita que aos escravos tenham sido atribuídas tarefas específicas, consideradas mais difíceis e/ou socialmente degradantes. Uma dessas principais funções era fazer o pastoreio e fertilizar as terras com esterco, enquanto os homens livres ficavam responsáveis por semeá-las ou ará-las. Não obstante, tanto a colheita quanto a coleta de feno eram feitas em conjunto.

Paralelo a isso, as mulheres escravas também eram empregadas na ordenha, na moagem de grãos, no preparo da comida e, às vezes, no cuidado de crianças. Myrdal também encontrou compilações de leis com interessantes discussões concernentes à “normatização” do corpo feminino dessas mulheres, incluindo “punições” para homens livres que eventualmente engravidassem a “propriedade alheia”:

"Sob a Lei de Sjaelland, um homem que engravida a escrava de outro homem é responsável pela criança e pela mãe, pelo menos até ela poder trabalhar novamente – esforço definido pela energia necessária na ordenha e na moagem de grãos. Em uma lei norueguesa correspondente, o homem é responsável por essa escrava até que ela esteja forte o suficiente para carregar dois baldes de água".

Por mais simples que possa ser ou parecer, a ordenha era uma das tarefas mais pesadas e degradantes para um escravo durante a Era Viking. Registros históricos narram histórias de mulheres livres que negavam-se até mesmo à tentativa, enquanto homens livres insultavam uns aos outros como “ordenhadores de vacas”. Todavia, Myrdal também observa como o relacionamento entre mulheres e vacas mudou com o avanço da Idade Média. No início do século XI, a fabricação e o armazenamento de manteiga tornaram-se muito mais dinâmicos, e o produto era uma excelente fonte de renda para a Escandinávia. De acordo com certas fontes do século XIII, mulheres suecas e dinamarquesas fizeram lucros consideráveis com a criação de vacas e a venda de manteiga. Também foi neste contexto que o termo escandinavo “dey” teve seu significado alterado – de designação para uma escrava supervisora, passou a definir gerentes de laticínios do sexo feminino.

O trabalho de Myrdal está publicado na obra “Settlement and Lordship in Viking and Early Medieval Scandinavia”. Editado por Bjørn Poulsen e Michael Søren Sinbaek, o livro contém outros dezesseis artigos sobre agricultura, sociedade e relações entre homens livres e escravos de tradição nórdica, e questiona a ideia bem difundida de que os aristocratas escandinavos simplesmente “evoluíram” de vikings para um fortalecido senhorio cristão.

 

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